Antes do programa de reintrodução, o último registro histórico citado de anta no estado do Rio de Janeiro era de 1914. Mais de um século depois, o maior mamífero terrestre do Brasil voltou a circular pela Mata Atlântica fluminense, em Cachoeiras de Macacu, na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA).

Não foi um retorno espontâneo: as antas precisaram ser trazidas de zoológicos e criadouros de outros estados, soltas aos poucos e acompanhadas por pesquisadores.

A anta-brasileira (Tapirus terrestris) é chamada de “jardineira da floresta”: come frutos e espalha as sementes pelas fezes, ajudando a mata a se regenerar. Trazê-la de volta é, na prática, devolver uma peça do funcionamento da floresta.

O retorno à floresta, em três marcos

2017

Chegam as primeiras antas ao programa da reserva.

2020

Nasce o primeiro filhote em liberdade desse retorno ao estado.

2025

A reserva registra o oitavo filhote, já de segunda geração.

Por que trazer antas de volta

A reserva recuperou áreas degradadas, mas a floresta de volta não traz sozinha um animal que desapareceu da região. Em 2017, a reserva recebeu as três primeiras antas, dentro de um programa coordenado pelo grupo Refauna, ligado a instituições de pesquisa do Rio.

Ao comer frutos e dispersar sementes pelas fezes, a anta participa da regeneração da mata. Ilustração do processo; não é fotografia da REGUA. Imagem gerada por inteligência artificial / Olhar Digital.

Uma reintrodução lenta, com perdas

Em agosto de 2024, a própria REGUA fez um balanço: desde 2017, 22 antas haviam sido soltas, 14 sobreviviam e oito tinham morrido, por atropelamento e por brigas entre indivíduos.

Segundo a bióloga entrevistada pela Agência Brasil em 2022, a gestação de uma anta dura cerca de 13 meses e gera um único filhote. O primeiro nascido em liberdade no estado em mais de um século veio no início de 2020.

No fim de agosto de 2025, a reserva registrou o oitavo filhote, já de segunda geração: a mãe é Jasmim e o pai, Valente. Em setembro de 2025, um novo casal chegou da Bahia e entrou em período de aclimatação.

Quantas antas há hoje

A resposta depende da fonte e da área considerada. A página institucional da REGUA informa “cerca de 25 antas dentro e ao redor da reserva” em 2026. A IUCN Save Our Species, que financia parte do trabalho, fala em 20 animais circulando por mais de 4 mil hectares do parque e arredores, e em planos de soltar mais um casal.

Segundo a entrevista publicada pela Agência Brasil em agosto de 2022, a meta de longo prazo do projeto era uma população capaz de se sustentar sozinha, com cerca de 50 animais espalhados pelo mosaico de áreas protegidas da região, incluindo o Parque Estadual dos Três Picos.

Vale uma separação: as antas da REGUA são animais reintroduzidos e seus descendentes. Esses números se referem à reserva e ao entorno, não a um censo de todo o estado.

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