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PF deve concluir nos próximos meses perícia contábil financeira em produtora de cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes — Foto: Brenno Carvalho; Ana Paula Paiva/Valor; Cristiano Mariz
Derrotado nas urnas neste domingo (25) por uma diferença superior a 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai perder a prerrogativa do foro privilegiado com o final de seu mandato de senador, mas as investigações em torno do nebuloso financiamento de “Dark Horse” devem seguir na mira do Supremo Tribunal Federal (STF), na avaliação de integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) ouvidos reservadamente pelo blog.
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Isso porque o atual entendimento do Supremo é o de que o foro privilegiado se mantém para autoridades nos casos de crimes cometidos no exercício do mandato e em função dele, mesmo que o alvo da investigação não esteja mais no cargo. Esse foi um dos motivos, por exemplo, para Jair Bolsonaro ser julgado pelo STF no caso da trama golpista, ainda que não ocupasse mais a chefia do poder Executivo.
Além de Flávio, o inquérito para apurar as contas de “Dark Horse”, que é um desdobramento das investigações do caso Banco Master, mira o deputado federal reeleito Mário Frias (PL-SP), que permanecerá na Câmara por mais quatro anos e tem foro no Supremo, e o irmão do candidato derrotado do PL, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
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O inquérito sobre o financiamento de Dark Horse também não é o único que atinge Flávio Bolsonaro. Outra apuração no Supremo apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo e possivelmente sócio do senador em alguns negócios. Esse caso está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, principal alvo dos pedidos de impeachment protocolados pela tropa de choque bolsonarista no Senado.
Perícia deve ser concluída nos próximos meses
A investigação sobre a cinebiografia de Jair Bolsonaro, aberta em julho pelo ministro André Mendonça, apura indícios de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais.
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Uma das linhas de investigação da Polícia Federal no caso “Dark Horse” é se o dinheiro enviado aos Estados Unidos pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, supostamente para a produção do longa-metragem não foi na realidade usado para custear as despesas com o autoexílio de Eduardo, que vive no país desde fevereiro do ano passado.
Um dos trabalhos que devem ser concluídos nos próximos meses é a perícia contábil financeira feita pela própria PF nos contratos e despesas da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme.
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A Go Up, que nunca lançou nenhum filme nos cinemas brasileiros, encaminhou à PF mais de 20 mil páginas de documentação entre contratos de câmbio, notas fiscais e recibo de despesas operacionais, mas a análise do material ainda não foi concluída.
Segundo a PF, a perícia deve “focar na verificação da compatibilidade” entre os gastos declarados em um laudo privado apresentado pela própria Go Up, os contratos de câmbio para o ingresso de recursos no Brasil e o fluxo financeiro dos US$ 12,3 milhões que o operador Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, depositou no exterior para o fundo Havengate, a pedido do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
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O Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo que também é alvo da investigação no STF. O fundo, que teria sido usado para intermediar os repasses de financiamento de “Dark Horse”, estava inerte até receber a primeira remessa de U$ 2 milhões, em fevereiro de 2025, coincidindo com o período em que Eduardo se mudou para os EUA.
Os peritos da PF querem esclarecer, por exemplo, se é possível “estabelecer nexo financeiro ou contábil direto” entre as sete remessas ao Havengate efetuadas pela Entre Investimentos, que totalizam US$ 12,3 milhões, e os valores recebidos posteriormente pela Go Up no Brasil para a produção do filme.
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Os investigadores também pretendem levantar o valor total das despesas efetivamente pagas e comprovadas com documentação fiscal e bancária no Brasil e verificar se há “inconsistências, pagamentos em duplicidade, notas fiscais canceladas, recibos sem identificação adequada do favorecido ou transações com empresas sem capacidade operacional aparente”.
Outro ponto que a PF quer averiguar é se os valores declarados como despesas do longa-metragem “refletem a realidade física da produção realizada no Brasil” e se há indícios de simulação contratual, subfaturamento, superfaturamento de serviços ou triangulação financeira destinada a encobrir o destino final dos recursos movimentados.
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De acordo com a perícia contratada pela Go Up, 72% dos gastos com o filme ocorreram nos Estados Unidos, ainda que o longa tenha sido filmado no Brasil. O dado chamou a atenção de cinco produtores ouvidos pelo blog, que também ficaram surpresos com os gastos elevadíssimos com as etapas iniciais do projeto, bem acima do padrão em produções desse porte.
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